Rede de Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos do Sul do Brasil

A Rede SAFAS visa apoiar as organizações atuantes nos territórios a articularem as suas experiências ricas para multiplicar e diversificar as agroflorestas agroecológicas, ou seja, a junção de gente para trazer elementos diversos e produtivos da floresta para dentro das roças, hortas e pomares.

O que entendemos por agroflorestas agroecológicas?

Ao longo de inúmeras gerações, diversas agriculturas dos povos do campo têm acumulado conhecimentos e práticas de como cultivar diversos elementos da floresta dentro da roça para se nutrir, curar, construir, se vestir e cuidar.

Durante várias décadas, a diversidade vem sendo eliminada da lavoura, da horta, do pomar e da plantação de madeira. Movidos pela ganância privada com aportes maciços do Estado transformaram as agriculturas em monoculturas viciadas em venenos e outros insumos químicos e industriais, e comandadas pelo Mercado.

Até hoje diversas agriculturas pelo mundo seguem resistindo à monocultura. Conservam, cultivam e colhem elementos florestais em sinergia com os cultivos agrícolas: Produzem ao mesmo tempo, no mesmo espaço, através do seu uso variado para alimento, forragem, medicina, materiais para construção, fibras, adubo verde, etc.

Essas formas de produzir uma diversidade de bens juntos vem sendo adaptadas às novas realidades sociais, econômicas, culturais, tecnológicas e jurídicas. Tanto as agriculturas tradicionais, indígenas, quilombolas, camponesas, como também iniciativas novas de mesclar a produção de plantas úteis herbáceas e arbóreas com diversidade vem sendo chamadas de agroflorestas.

Seguem aproveitando que algumas plantas pioneiras (ervas ou árvores) ajudam no crescimento de (criam as condições favoráveis para) outras plantas mais exigentes, mais preciosas, de crescimento lento (agrofloresta sucessional).

 

Rede de Sistemas AgroFlorestais Agroecológicos do Sul do Brasil 
Rede SAFAS

O que a Rede SAFAS já fez:

1. Realização de Macro-oficinas (MOs)

  • MO1 (2015, Dom Pedro de Alcântara/RS): Reuniu agricultores, técnicos, pesquisadores, indígenas, quilombolas e gestores públicos. Incluiu visitas a agroflorestas, debates sobre legislação ambiental e feira ecológica.
  • MO2 (2017, Lapa/PR): Aconteceu na Escola Latino-Americana de Agroecologia (ELAA) e no Instituto Contestado de Agroecologia (ICA). Abordou organização social, práticas agroflorestais e comercialização.

2. Pesquisas Participativas

  • Utilizou Teoria da Mudança e Grupos Focais para identificar obstáculos e impulsores das agroflorestas.
  • Envolveu agricultores, técnicos e pesquisadores na construção de um modelo conceitual colaborativo (Figura 4 do artigo).
  • Identificou gargalos como: falta de assistência técnica, dificuldades de comercialização, mão de obra e sucessão rural.

3. Produção de Materiais Educativos Colaborativos

  • Vídeo documentário: “Rede SAFAS: Trazendo a floresta pra dentro da roça” (Dionísio & Türck, 2017).
  • Cartilhas e livros digitais: Sistematização de experiências e conhecimentos agroflorestais.
  • Pôsteres científicos: Divulgação de resultados de pesquisas.
  • Mapa interativo: Mapeamento colaborativo de experiências, feiras e eventos.
  • Biblioteca de imagens educativas: Disponibilizada no Wikimedia Commons.

4. Articulação Interinstitucional e Diálogo com Políticas Públicas

  • Promoveu diálogos entre órgãos ambientais (como FATMA, IAP, ICMBio) e agricultores para adequação da legislação.
  • Alinhou ações com a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG).
  • Incentivou a certificação agroflorestal e a regularização ambiental de SAFAs.

5. Fortalecimento de Redes e Troca de Saberes

  • Criou espaços de diálogo de saberes entre conhecimentos científicos, técnicos e tradicionais.
  • Fortaleceu vínculos entre movimentos sociais, universidades, ONGs e comunidades tradicionais.
  • Promoveu a visibilidade e a valorização das agroflorestas como alternativa agroecológica.

6. Sistematização e Divulgação

  • Participou de seminários regionais e nacionais de agroecologia.
  • Teve sua experiência reconhecida e sistematizada pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).
  • Todos os materiais produzidos estão disponíveis online.

Principais Conquistas:

  • Construção de uma plataforma dialógica e reflexiva para ações transformadoras.
  • Integração de saberes e fortalecimento da rede de atores.
  • Visibilidade das agroflorestas e seus benefícios socioambientais.
  • Influência em políticas públicas e na legislação ambiental.

Fontes:

Iniciado pelo projeto de apoio à formação de Núcleos de Agroecologia e Produção Orgânica (NEAs), chamada MDA/CNPq nº 39/2014

Ainda não foi criado nenhum conteúdo para a página inicial.
Siga o Guia do Usuário para começar a construir seu site.